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Origens da Umbanda Parte 3 de 3
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Nesta época as classes sociais dominantes estavam maravilhadas com o espiritismo vindo da Europa, trazidos pelos filhos de pessoas abastadas que vinham de lá após terminarem seus estudos. Nas mesas kardecistas de então, se manifestavam espíritos de doutores, padres e intelectuais. Já os espíritos de Pretos Velhos (ex-escravos) ou de índios, que eventualmente apareciam, eram rechaçados e tratados como espíritos inferiores, de pouca luz e pouco saber. 
Inicia-se então um movimento no mundo espiritual, visando acabar com esse preconceito vigente nas mesas kardecistas. É sabido que a evolução de um ser espiritual não depende de sua cor, raça ou condição social, então era preciso que algo acontecesse para transformar esta cultura, e a mudança teria que ser no seio da sociedade kardecista. O mundo espiritual precisava de um médium bem nascido, alguém cuja formação moral e educação fosse incontestável, alguém de cor branca, alguém que pudesse falar em nome daqueles que estavam sendo rechaçados no Kardecismo apenas por sua cor ou raça.
Surge assim a figura do médium Zélio Fernandino de Moraes que em 15 de novembro de 1908, em Niterói, incorpora em uma mesa kardecista, deixando boquiabertos os participantes da sessão com sua atuação, conhecimento de línguas e outros saberes. O espírito de um Caboclo brasileiro, que se apresentou como o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Ao se manifestar, informou que para ele não haveria caminhos fechados e que estava ali para anunciar o nascimento da Umbanda. Religião aberta a todos os espíritos que seguissem os ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo e da sua doutrina, independentemente de raça cor ou condição social. Nascia assim uma religião sem preconceito, pautada na paz, no amor e na caridade. Ele disse ainda: “Daqui levarei uma semente que se transformará em uma árvore frondosa” e foi a partir dai que a casa do Largo das Neves tornou-se a meta de enfermos, crentes, descrentes e curiosos
Os enfermos eram curados. Os descrentes assistiam a provas irrefutáveis. Os curiosos constatavam a presença de uma força superior. Os crentes aumentavam dia a dia.
Estava fundado o primeiro templo de Umbanda do Brasil: a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
Cinco anos mais tarde, exclusivamente para a cura de obsidiados e desmanche de trabalhos de magia negra, manifestou-se o Orixá Male. A Tenda da Piedade trabalhava ativamente, proporcionando curas especialmente na recuperação de obsidiados – pessoas consideradas loucas na época.
Já se contava as centenas destas curas, comentadas em todo estado e confirmadas pelos próprios médicos que recorriam à Tenda em busca de solução para suas doenças. No início de cada trabalho, o Caboclo indicava quais pessoas da lista de enfermos seriam curadas. Ele curva os obsidiados portadores de doenças de origem psíquica. Já os demais, ele dizia que competia a medicina curá-los.
Após 10 anos de trabalhos, o Caboclo anunciou a segunda etapa de sua missão: a criação de sete templos, que, segundo ele, seriam o núcleo central de difusão da Umbanda. São eles:
Tenda Nossa Senhora da Guia 
Tenda Nossa Senhora da Conceição
Tenda Santa Barbara
Tenda São Pedro
Tenda Oxalá
Tenda São Jorge, fundada em 1935
Tenda são Jerônimo, fundada após 1935 
Durante e após a criação destas sete Tendas, outras foram criadas em vários estados da federação, inclusive no Rio de Janeiro, onde nasceu a Tenda Mirim. A parti deste tempo, estava concretizada a frase que o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse na sua primeira aparição: “Levarei daqui uma semente e a plantarei no Largo das Neves, onde se transformará em uma árvore frondosa.”. 
Falar sobre a Umbanda sem falar em  Zélio de Moraes, é praticamente impossível. Ele, assim como Kardec, foi escolhido pelos espíritos para divulgar essa doutrina.
No período da republica velha, os cultos de origem africana e indígena, incluindo aí a Umbanda que estava nascendo, foram impiedosamente perseguidos pela sociedade e suas elites. Os terreiros e as roças localizavam-se em cortiços e no alto dos morros, com raras exceções, ou em bairros degradados próximo as favelas, como a Praça Mauá no Rio de Janeiro – região do Cais do Porto.
Batidas policiais eram constantes e frequentes, não raro terreiros eram fechados. Um pesquisador tem hoje material farto, se consultar as páginas policiais e boletins da época. Esta intolerância se devia ao capitalismo de elites que estava sendo implantado na cidade, levando para o alto dos morros as camadas mais pobres de sua população. 
Os terreiros e casas de culto eram frequentados principalmente por intelectuais, artistas, médicos curiosos, pessoas abertas a novas terapias e pela camada menos privilegiada da sociedade. Foi neste ambiente que a nossa Umbanda nasceu e começou a se desenvolver.
Enquanto os líderes das demais religiões de origem africana, incluindo aí o Candomblé e as religiões brasileiras nascidas com influencia afro e indígena citadas anteriormente, se esforçavam para legitimar seus cultos exaltando a pureza das tradições africanas, os líderes do movimento umbandista fizeram questão de apresentá-la como religião genuinamente brasileira. Este caráter nacionalista fazia parte de uma estratégia de legitimação, que incluía a institucionalização da nova religião e a adoção de um discurso evolucionista no qual a população brasileira era resultado de um encontro similar entre negros, brancos e índios. Tudo com o objetivo de buscar ocupar espaço no campo religioso a partir da interpretação do projeto político e ideológico implantado pelo estado novo, em que o caráter mestiço da população brasileira contribuiria para o desenvolvimento socioeconômico do país, uma vez que aqui não ocorriam conflitos étnicos e culturais como em outros países.
Devido a isto e a atuação de alguns sacerdotes da Umbanda intelectualizados, da atuação da Federação Espírita de Umbanda, fundada em 1939 e da realização do primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda em 1941, foi possível negociar a diminuição da repressão policial que se intensificara em meados de 1937. Com isso a expansão do número de terreiros, iniciada em 1930, se consolida durante o estado novo. 
Diamantino Coelho Fernandes, representante da Tenda Mirim, no primeiro Congresso de Umbanda aproxima mais a identidade filosófica da Umbanda com o racionalismo cristão, ao defender que os fundamentos umbandistas são sustentados pelo tripé: luz, amor e verdade, sendo uma religião capaz de educar e encaminhar as almas para Deus. Ao apregoar este caráter nacionalista na religião, neste caminho em busca da redenção de almas e encaminhamento das verdades cristãs, a Umbanda segue seu caminho dentro do estado novo experimentando o maior crescimento da sua história durante 20 anos, e se torna a religião de origem brasileira mais praticada no país.
 
Pai André de Xangô 

 

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